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AINDA HÁ MUITO ESPAÇO PARA CRESCER

(*) José Carlos de Oliveira Lima

 

Após 15 anos de estagnação, a construção civil vem se constituindo no principal carro-chefe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e, na sua esteira, outros setores já vivem o reflexo positivo. Depois da reação em 2006, quando o PIB da construção chegou a bater 5,8%, o setor manteve a linha ascendente em 2007, com expectativa de fechar o ano com crescimento da ordem de 8%. Para 2008, a estimativa é crescer 12%.

O bom momento da Construção Civil é mérito do Governo, movido, justiça seja feita, por uma bem orquestrada ação do setor produtivo, unido sob a bandeira da União Nacional da Construção, uma iniciativa da Fiesp e da CBIC. Graças a medidas acertadas, como desoneração de impostos sobre itens da cesta de materiais para a construção, implantação de marcos regulatórios em saneamento, desburocratização nas linhas de financiamento da casa própria, o setor colhe agora os frutos sazonados desse esforço.

São números auspiciosos, se considerado o longo jejum, que empolgam e dão esperança ao empresário. Mas é também por conta desse longo período de inércia, que hoje estamos pagando o alto preço do despreparo. O boom do mercado imobiliário, que cresceu 38% nos últimos três meses, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), está revelando as carências de um setor, por anos abandonado e para o qual não houve qualquer planejamento.

Nos primeiros elos da cadeia, essas carências estão mais sensíveis. Os escritórios de arquitetura e engenharia não dão conta da demanda de projetos, cuja entrega chega a demorar quatro meses, e a indústria de materiais já se ressente também da falta de insumos importantes, como cimento, pedra e pedriscos, além da falta de equipamentos nos canteiros de obras, como gruas, bate-estacas, escoramentos e outros.

O ajuste a esse novo cenário demandará esforços, sem dúvida. Para alguns segmentos da indústria da construção, que vinham apresentando capacidade ociosa, a adaptação se dará com mais rapidez, com a adição de turnos extras nas jornadas e mesmo com a ampliação da escala de produção. Para outros, entretanto, como a indústria cimenteira ou siderúrgica, de máquinas e equipamentos, essa tarefa não será tão simples, já que exigem investimentos mais pesados, com maturação de um a dois anos.

Lançado o fermento, a massa terá de crescer. Assim também o mercado da construção, vitaminado pelos projetos do PAC, tende a expandir-se exponencialmente, já que somos um país continental e com alto passivo na área habitacional, da ordem de 7,2 milhões de moradias. Mas, como acontece na vida, quem viveu muito tempo na escassez, comete excessos à mesa quando conhece a fartura. E nesse sentido é preciso alertar para o risco que isso significa para o próprio setor. A crise na oferta do cimento, que sumiu das revendas em alguns estados, ou que teve os preços elevados de forma artificial, da ordem de 20 %, mostra um pouco disso.

Reconhecemos que a lei da oferta e da procura estará sempre ditando a regra do mercado, e que para muitos produtos há margem de ajustes nos preços. Mas a especulação, com a formação de estoques desnecessários, pode significar um tiro no próprio pé, com prejuízos para todo mundo, principalmente para a grande massa de brasileiros que buscam realizar o sonho da casa própria e que são os grandes fomentadores do mercado da autoconstrução.

Portanto, um pouco de temperança e equilíbrio, virtudes há muito ensinadas pela milenar sabedoria oriental, não fará mal ao empresariado da construção civil. Se, em vez de especulação, avidez e afoitamento, for empregado o bom senso, toda a cadeia ganhará e, com ela, o País, já que a construção civil é e sempre foi o motor maior da economia.

(*) José Carlos de Oliveira Lima, é vice-presidente da Fiesp, Coordenador do Departamento da Indústria da Construção - DECONCIC/FIESP e presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento (Sinaprocim).

 
   
 
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