Pacote mal embrulhado
Para os empresários, as medidas que o governo anunciou em fevereiro ajudam, mas
somente uma política habitacional de longo prazo traria o almejado crescimento sustentado

 
       
 
por Jane Soares

   
 
A construção civil não vai sentir saudades de 2005. O setor fechou o ano com um crescimento de apenas 1,3%, bem aquém da estimativa de 4,6% que embalava os sonhos dos empresários no início do ano. Ao perceber a retração, o governo tentou amenizar o desastre. Em outubro, editou a Medida Provisória 255, a MP do Bem, que trouxe uma série de mecanismos para estimular as vendas de imóveis e,
 

consequentemente, a indústria da construção. Não deu tempo.
Em fevereiro, o presidente Lula reuniu um séqüito de 12 ministros e dezenas de parlamentares para divulgar um pacote amarrado às pressas para alavancar as atividades do setor neste ano eleitoral (veja quadro). As medias - aumento do volume de recursos destinados à compra da casa própria e redução da carga tributária sobre 41 produtos - foram bem recebidas. Mas para o empresariado ainda será preciso fazer muito para "tirar o setor do buraco".

Não falta espaço para crescimento. O déficit habitacional é de 7,28 milhões de mradias. Mas , apesar dos vários planos anunciados entre 1993 e 2003 para a área, o número de habitações nas favelas brasileiras cresceu nada menos que 50% em 13 estados no mesmo período, como mostra uma pesquisa do professor Fernando Garcia, da Fundação Getulio Vargas (FGV). A população favelada, por sua vez, aumentou de 4,9 milhões para 6,6 milhões de pessoas.
       
fonte: Revista da Indústria 117.