É PRECISO MAIS. Ferraiuolo afirma que redução de impostos não garante crescimento sustenado

   
 
           
 
Roberto Ferraiuolo, presidente do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo, bate na mesma tecla: “Uma redução na carga tributária é sempre positiva e o governo, com isso, atendeu a uma antiga reivindicação da Fiesp. Mas ainda estamos bem longe das condições adequadas para garantir um crescimento sustentado”.
Tintas e vernizes foram beneficiados com uma redução na alíquota média de IPI, de 10% para 5%. O segmento cresceu 3% no ano passado, puxado basicamente pela demanda da indústria automobilística e dos segmentos de madeira e tintas artísticas. A expectativa, no início de 2005, era de expansão de 5%. Não se concretizou por um “detalhe”: 65% da produção de tintas destina-se à construção civil.
Apesar de benéfica, a redução do IPI não produz grande impacto para o setor. Mas estimula o chamado consumo “formiguinha” – de famílias que adquirem materiais para reformar suas residências. Segundo João Cláudio Robusti, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sindusconsp),
     
 

a diminuição do IPI deve provocar queda de 1,2% a 1,5% no custo final dos imóveis, quase nada, quando se pensa no tamanho da carga tributária do setor de habitação, de 38%. “O razoável seria algo entre 20% e 22%”, diz Robusti.
Por isso, representantes de todas as entidades continuam a defender o corte drástico dos impostos, a redução dos juros, principalmente os incidentes sobre os financiamentos, e a adoção de uma política habitacional que privilegie a população de renda mais baixa. “Precisamos unir esforços pela desfavelização”, enfatiza Oliveira Lima, do Comcic.
 

“O governo deve priorizar projetos para erradicar moradias situadas em áreas de risco, estimular a regularização fundiária e direcionar pelo menos 75% dos recursos da habitação para a construção de moradias de interesse social”, acrescenta Robusti.
Pelo que promete o governo, não faltará dinheiro: o presidente Lula anunciou R$ 18,7 bilhões para financiamento da casa própria este ano, sem explicar que o valor inclui apenas R$ 550 milhões de recursos novos, pois o restante já estava previsto nos orçamentos da União e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

 
  fonte: Revista da Indústria 117.
 
 
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