CARGA TRIBUTÁRIA. Para Robusti, impostos do setor deveriam ficar em torno de 20%    
       
 
amenização da crise política, do processo eleitoral e – se houver – de uma transição de governo tranqüila. Seria preciso ainda que os juros caíssem, a renda das famílias crescesse e os R$ 18,7 bilhões anunciados por Lula fossem efetivamente aplicados em habitação. Esse último fator é o que mais desperta desconfiança no empresariado: em 2005, apenas 13% dos recursos previstos no Orçamento da União para a área foram utilizados.
 
 
Em tempo: segundo o Sindusconsp, para zerar o déficit habitacional, o governo precisaria investir R$ 20 bilhões anuais durante 20 anos.
Do total dos recursos que o governo federal pretende liberar este ano, R$ 8,7 bilhões virão da Caderneta de Poupança – os bancos são obrigados a investir em habitação 65% do dinheiro aplicado nessa modalidade de investimento. Sozinha, a Caixa Econômica Federal deverá destinar R$ 2 bilhões e as instituições privadas outros R$ 6,7 bilhões ao financiamento habitacional. No ano passado, o total de empréstimos bancários para aquisição de imóveis foi de R$ 4,7 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Se as previsões se concretizarem, portanto, o volume de crédito crescerá 85%.
Ao que tudo indica, os bancos estão dispostos a investir. No ABN Amro Real, o financiamento imobiliário é a carteira que deverá se expandir mais este
ano – no ano passado, a instituição aplicou R$ 1,6 bilhão,
 
35% mais do que em 2004. O Itaú dobrou em 2005 o volume de empréstimos, que somou R$ 1,4 bilhão, R$ 600 milhões mais que o valor de repasse obrigatório de recursos da caderneta de poupança. Este ano, o banco deve aplicar na área o mesmo valor.
Em geral, os financiamentos bancários – exceto na Caixa Econômica Federal – são dirigidos à classe média. Para a população de baixa renda, foram destinados, este ano, R$ 2,27 bilhões – R$ 1 bilhão para o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) desenvolver projetos de urbanização de favelas com palafitas e R$ 1,27 bilhão para programas habitacionais a fundo perdido. Outros R$ 7,8 bilhões virão do FGTS.
Tantas novidades trouxeram outras esperanças para 2006. Robusti, do Sindusconsp, acredita que o setor deve registrar expansão de 5,1%, mesmo porcentual de aumento que Ferraiuolo prevê para tintas e vernizes.
A concretização dessa expectativa, no entanto, depende de vários fatores: de um crescimento de 3,3% do PIB, da

 
 
fonte: Revista da Indústria 117.